Psicanálise

 

 

Sandra Lucíola Martin Catropa
. Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo - SBPSP
. Professora do Curso de Especialização em Psicanálise para Formação
de Psicoterapeutas - UNIFESP
. Mestre em Psicologia da Saúde

PSICANÁLISE - A ESSÊNCIA DE SUA PROPOSTA

Um dos grandes méritos de Freud foi ter descoberto que nosso comportamento, nossos pensamentos, sentimentos, sintomas, atos falhos e sonhos tem uma determinação inconsciente. E mais do que isto, a partir de seu trabalho clínico, criou um corpo teórico e técnico que permite não só compreender os efeitos do inconsciente na vida consciente, mas como acessá-lo.

Assim, a Psicanálise através de sua técnica busca acessar o inconsciente que se faz presente na relação analítica através da transferência.

A análise dará forma, nomeará e dará vida ao que já está ali presente, mas de forma obscura e desconhecida para o indivíduo.

A transferência, “pérola” de nosso trabalho, nada mais é do que este inconsciente obscuro presentificado na relação com o analista.

O comportamento é baseado em clichês, ou padrões que foram se constituindo ao longo da experiência e que repetir-se-ão em qualquer relacionamento que o indivíduo tiver, inclusive com o analista, e é nisto que o trabalho colocará seu foco.

Através da análise, o indivíduo poderá. rever teorias que construiu a respeito de si próprio e de sua relação com os outros. Se não puder alterá-las, no mínimo tomará consciência delas, apropriando-se, desta forma de si mesmo.

Analista e analisando construirão uma nova história, que evidentemente surgirá a partir da história prévia do analisando.

O trabalho analítico diferentemente de outros tipos de terapia não terá como meta eliminar sintomas, mas sim entender o que encontra-se subjacente a eles.

O analista não dará conselhos, nem apontará caminhos, pois não é ele quem detem o conhecimento sobre o que é melhor para seu analisando.

Os caminhos já se encontram potencialmente presentes no analisando, e só ele poderá saber qual a escolha apropriada.

Isto irá surgindo com o desvelamento daquilo que é desconhecido, dando nome a vivências inomináveis até então, propiciando a vivência de uma nova e singular experiência para a dupla analista-analisando.

O fato de a psicanálise centrar-se na experiência transferencial com o analista, justifica o número de sessões maiores do que de outros tipos de psicoterapia.

É na experiência vivida que se encontra a possibilidade de recriação de uma nova história.

 

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